Quando eu comecei a usar a internet, lá pros idos de 1999, a gente escrevia no computador assim como se escreve no papel. O jeito que eu escrevo no blog, por exemplo, é aceitável para publicações impressas. Mas com o tempo, a gente se apropriou de símbolos (seriam signos? ícones? ai, essa semiótica) que expressam emoções de forma reduzida. Tipo o emoticon do sorrisinho:
Com o tempo, a gente foi criando toda uma linguagem baseada na e para a internet. E me parece que cada faixa etária cria o seu próprio vocabulário virtual.
Desses, há dois que me chamam a atenção pela peculiaridade da transmissão de um pensamento. O primeiro é o famoso -q, mais comumente usando em comunicadores instantâneos. As in:
Thais diz:
nossa, comi tanto que vou explodir hahah aloka
-q
Traduzindo, seria “quê?”, denotando uma autoironia. Ou pelo menos é assim que eu entendi e tô usando até agora. Por ora, esse comportamento só foi detectado em adolescentes.
A outra eu não sou adepta e acho um saco. Trata-se de deixar a frase no meio, terminando com “e”. Tem muito disso no Twitter. Exemplo:
Eu queria sair hoje e comer no starbucks e comprar um livro e
E é isso mesmo, termina assim. O próximo tweet não continua o raciocínio. Denota que você se empolgou o suficiente para listar coisas demais, mas não teve criatividade o suficiente pra ir além. Esses jovens, viu…
A internet é uma experiência fantástica, não é mesmo?