
Primeira imagem que vem no Google ao buscar por “fans”
Meu objeto de pesquisa da monografia da pós-graduação vai ser a formação do fandom de uma série britânica de ficção científica (Doctor Who) aqui no Brasil. Minhas leituras estão a todo vapor, e gostaria de compartilhar aqui com vocês o que eu já consegui descobrir até agora. Estou estudando comunicação, então vou usar teorias não só da minha área, como também sociologia, antropologia e até psicologia.
Vamos ao básico do básico. A palavra fandom vem da junção dos termos fan e kingdom, ou seja, reino dos fãs. Os estudos sobre fãs partem do princípio de que a audiência de massa não é passiva, como acreditava Adorno e sua Escola de Frankfurt, mas sim ativa no sentido de reapropriar os significados do que consome.
É como se fosse um grupo organizado de pessoas que se unem para discutir seu tema favorito e fazem apropriações das mais diversas naturezas (semiótica, enunciativa e textual), como fanzines, fanfiction, fansites, cosplay e tudo o mais. Essas práticas constituem as subculturas dos fãs.
Isso surgiu muito antes da internet. Para vocês terem uma ideia, o primeiro fanzine de que se tem notícia data de 1960. Ele se chamava Spocknalia e é claro, foi feito por fãs de Star Trek. Por fãs, para fãs.
Com a internet, esse movimento foi potencializado. Com a tecnologia, a produção desses conteúdos de fãs se torna mais fácil de se fazer e mais ainda, de ser distribuida. Se antes era raridade você encontrar o tal do fanzine do Spock, agora você encontra fansites sobre Star Trek ao alcance de um clique (e viva o santo Google).
A princípio, a mídia quis caracterizar os fãs em oposição aos aficionados por produtos da alta cultura. Ou seja, se você é especialista em música clássica ou chás ingleses, você é mais importante do que os fãs dos produtos da cultura de massa. As práticas do primeiro grupo seriam vistas como civilizadas, enquanto a dos fãs beira a histeria. É verdade que isso pode acontecer (principalmente com fãs de Justin Bieber e Backstreet Boys, ou de torcedores de times de futebol). No caso mais específico dos fãs de ficção científica e fantasia, no entanto, o que se vê são pessoas comportadas (geralmente!) e interessadas na troca de ideias e informações sobre seu objeto de devoção.
Os estudos sobre fãs se originaram nos Estudos Culturais, que surgiu nos anos 1950, em Birmingham, e tem como nomes principais Henry Jenkins, John Fiske e muitos outros. No Brasil, já há acadêmicos lidando com o tema. Destaco o trabalho de Adriana Amaral, que tem sido de grande valia pra minha pesquisa, além de diversos pesquisadores espalhados por todos os cantos do Brasil. Ah, e claro, agradeço ao orientador Luis Mauro Sá Martino por topar me acompanhar nessa empreitada. Nem vai ser tão ruim, afinal ele é também um fã. Assim como eu.
E que venham os próximos meses com mais um monte de descobertas sobre o tema. Vou contando tudo por aqui!